O alfinete

 

Picou-se nele. O alfinete pontiagudo, rosa, aberto, solto junto ao espelho da cómoda. Distraída, fugiu da dor, pingando grossas, espessas, gotas vermelhas, misturadas com o pó de arroz que tinha acabado de pôr no rosto.

 

Não olhou para si. Apenas pensou no que fazer a seguir. Deitou-se na cama, apagou a luz e observou o tecto do quarto. Pintas brancas fingidas, num largo céu azul, multiplicavam-se num jogo de faz de conta. Tudo tinha sido pensado para que a noite, ou noites, fluíssem numa atmosfera romântica.

 

Levantou-se da cama e tentou atingir aquele tecto etéreo. Queria tocar o azul e misturar aquele puro branco com o vermelho sangue dos seus dedos.

 

Afinal a vida não era isso mesmo?

publicado por imprevistoseacasos às 18:13 | comentar | favorito