Observar, observar

 

Observar o outro. Este era o vício mais irresistível de todos para Luísa. Não era algo a que renunciasse, mesmo que alguém com poderes para tal lhe oferecesse uma recompensa vitalícia, infinita. Nada disso. Luísa alimentava-se da observação e respirava melhor sempre que uma impressão se confirmava. Este vício, para muitos perverso, nem sempre a fazia feliz. A confirmação de uma intuição dolorosa era um exercício repetido de dor. Para quê então tudo isto? Luísa não saberia responder. As pulsões dificilmente se justificam e muito poucas vezes se controlam.

publicado por imprevistoseacasos às 11:02 | comentar | favorito