Câmara de Lisboa corta com o "lixo" da Moody's

 

A Câmara de Lisboa (CML) vai suspender o contrato com a agência de 'rating' Moody's, uma vez que o vínculo se revelou "perfeitamente inútil" porque a empresa não fez o seu trabalho, revelou hoje à Lusa o presidente.

À margem da inauguração de um parque aventura na Mata de Benfica, António Costa (PS) afirmou que a autarquia não irá pagar um serviço não cumprido.

"[A agência] aplicou a Lisboa, aos outros municípios e às regiões autónomas uma queda automática [do 'rating'] em função da queda da
República", notou o presidente da autarquia.

"Em vez de nos avaliarem, simplesmente aplicam-nos o efeito automático. É o mesmo que um médico, em vez de apreciar um doente, dizer que tem a doença da média das pessoas que atendeu naquele dia", justificou.

À semelhança da notificação de Portugal e das empresas públicas com um rating de "lixo", a agência norte-americana aplicou na quinta-feira a mesma classificação a Lisboa, Sintra, Madeira e Açores.

O autarca sublinhou que Lisboa "felizmente" tem a sua dívida "devidamente estabilizada e contabilizada". "Estamos a pagar e não estamos e nem vamos precisar de ir ao mercado contratar novos empréstimos", afirmou à Lusa, acrescentando não fazer sentido uma sujeição a um 'rating' "inútil".

Atualmente, a autarquia tem por objetivo fazer a gestão de ativos que permita "antecipar o pagamento da dívida, o que era positivo fazer". "Senão vamos continuando a pagar calmamente, como estamos a fazer e sem necessidade de empréstimos. Quando toda esta tempestade passar então vamos ver se voltaremos a contratar serviços de 'rating'", resumiu.

Na quinta-feira, a Câmara Municipal de Sintra anunciou também a suspensão das suas relações contratuais com a Moody's, justificando a decisão com o facto de a entidade financeira ter cortado a notação do município.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, também informou não ter renovado o contrato com a agência por ter "uma dificuldade tremenda" em trabalhar com quem não considera sério.

Na região autónoma da Madeira, Alberto João Jardim referiu que as agências de 'rating' "não entram mais na administração pública da região", sustentando que "Portugal não se pode deixar impressionar por 'jogadas urdidas' do dólar contra o euro".

Pela parte dos Açores, o presidente da região, Carlos César, disse não atribuir "credibilidade" à agência financeira.

publicado por imprevistoseacasos às 16:59 | comentar | favorito
tags: