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Comunidade de Leitores
Linguagem Literária e Linguagem Pictórica. Por Helena Vasconcelos

 

 Foi um prazer o primeiro dia de conversa em torno de Dorian Gray. Helena Vasconcelos foi, como sempre, uma notável animadora destas tertúlias. Os convivas de todas as idades e de gostos tão diversos, tiveram a oportunidade de falar, interpretar, relacionar diferentes obras com o universo de Oscar Wilde. Aguardo com entusiasmo a segunda conversa na certeza de que muito se poderá ganhar nesta comunidade moderna, uma revisitação das antigas tertúlias que tanto fizeram pela nossa literatura.

 

Deixo aqui as palavras de Helena Vasconcelos: 

"Toda a Arte é imoral", como disse Oscar Wilde? Ou será uma "amante ciumenta" como afirmou Ralph Waldo Emerson? Exigirá a "supressão do eu" como escreveu melancolicamente Henry James? Ou fará desaparecer tudo o que é desagradável, por estabelecer "a relação perfeita entre a verdade e a beleza", na opinião optimista do poeta John Keats?
Uma vez que escrever é uma Arte e que outras artes são atravessadas pela Literatura, o que acontecerá com esta auspiciosa fusão?
Ao longo da leitura destas obras tentaremos descobrir a forma como, tanto através da escrita como através da pintura ou do desenho, os artistas nos "contam histórias", oferecendo pistas, enigmas e ilusão, à medida que se desvendam a si próprios e nos facultam a chave para a compreensão da sua arte e do seu tempo.
Com Wilde exploraremos o poder da representação narcísica (Dorian Gray passou a ser nome de síndrome) e com Joyce a mestria de um exercício de auto-‑conhecimento. Com Agustina, Frayan e Chevalier exploraremos a época de ouro da pintura flamenga dos séculos XVI e XVII. Breugel e o seu dramático tempo, quando os Países Baixos lutavam contra a coroa espanhola, é o centro do delirante livro de Frayan, enquanto Rembrandt é o de Agustina e Vermeer o de Tracy Chevalier. Quanto à obra de Byatt, embora trate essencialmente da articulação da poesia vitoriana, está indissoluvelmente ligada ao movimento pré-rafaelita de (entre outros) Dante Gabriel Rossetti.
As "pontes" – mas também as cisões – entre a linguagem literária e a linguagem pictórica serão o pretexto para as nossas leituras".
 

publicado por imprevistoseacasos às 16:14 | comentar | favorito