Ainda tenho futuro

Parecia estar bem, equilibrado. No entanto, suava em bica e olhava freneticamente para o relógio. Sorria, abanava a cabeça em sinal de assentimento, ao mesmo tempo que recebia as minhas palavras como se estas fossem um tipo de luz que só ele conhecia. Hesitei diversas vezes antes de lhe mostrar que bastava vê-lo naquele sofrimento para perceber que o equilíbrio ensaiado não resultara.

Reforçou, repetidamente, a importância dos erros cometidos. Apenas queria olhar em frente e evitar aqueles caminhos, dizia. Afinal percebera um dia, em pleno tormento, que ainda tinha futuro. Quando atingisse os dezoito anos já teria muito para contar. Esta era uma forma de futuro.

publicado por imprevistoseacasos às 21:21 | favorito