28
Jun 08

Ana Luísa Amaral 2

  

COISAS DE PARTIR

 

Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.

Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?

E se já não respiras? Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?

Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras.

 

 

de Coisas de Partir, Fora do Texto, 1990

 

publicado por imprevistoseacasos às 13:49 | comentar | favorito
tags:
28
Jun 08

Ana Luísa Amaral

 

 

Ana Luisa Amaral 

Quinta ouvi, na Flad, Ana Luísa Amaral. O pretexto era falar de Emily Dickinson. Cedo esta ficou para trás visto que ALA rapidamente cativou bem mais... Fiquei curiosa, por isso li, hoje, alguns poemas. Vou deixar algures por aqui, poemas dela, na esperança de os tornar meus ... 

publicado por imprevistoseacasos às 13:31 | comentar | favorito