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Jul 08

D. Cecília

 

Perdida em pensamentos nem reparei que a D. Cecília tinha entrado, silenciosamente. Junto ao balcão estava à espera da sua habitual empada de galinha na ansiedade de aproveitar a hora de almoço. Sempre que me lembro dela penso no prazer com que ela tritura uma empada, dia após dia. Enfim, naquele café de bairro as personagens não mudavam com frequência. O mesmo não se pode dizer dos seus penteados. Aqui a D. Cecília tinha uma palavra a dizer. Lavava, esfregava, amaciava os cabelos das senhoras há tantos anos que, calculo, a sua fama já terá chegado a outras cabeças de Lisboa. Ela, no entanto, mantinha-se fiel aquele lugar. O mesmo se podia dizer do seu penteado. A mesma cor acobreada, onde se notava um especial cuidado com a fraca ondulação do seu cabelo. Curto, crespo e firme, certamente um resultado L’Oréal, conforme testemunhava a sua imaculada bata. No entanto, com o passar dos anos era visível a dificuldade em manter o mesmo vigor. No alto da sua cabeça era notória uma clareira, sem ondulação, e a cor tingida não tinha chegado, ou já tinha partido. Observando com atenção era possível inferir que a D. Cecília já tinha a sua quota-parte de cabelos brancos enraizados.
Acredito que ela já notara o meu olhar curioso visto que há algum tempo para cá que me cumprimentava, sempre que nos encontrávamos. Naquele dia, no entanto, estava tão distraída que nem me tinha apercebido do que me rodeava. Noto agora que a D. C. estava particularmente nervosa. Não gostava de gritos e, no momento, tudo gritava. A televisão por uma antena, um mendigo por uma moeda e um casal por café. Não me atrevi a pedir a conta pois teria também que gritar. Optei, por isso, por me levantar e procurar com um sorriso a redonda empregada Cabo Verdiana. Tudo quanto fazia parecia pleno de ritmo. Cantou-me a conta com uma voz jovem e olhar maternal, abafando, com a sua harmonia, os gritos dos outros.
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11
Jul 08

Tropa de elite...a não perder.

 

 

Resumo:

Urso de Ouro em Berlim, "Tropa de Elite" retrata o violento quotidiano de um batalhão da polícia do Rio de Janeiro. Em 1997, Nascimento, capitão da Tropa de Elite, é nomeado chefe de uma das equipas que tem como missão apaziguar o Morro do Turano. Apesar de considerar insensatos os motivos da operação, Nascimento tem de cumprir ordens, mesmo quando a mulher grávida lhe implora que deixe a linha de frente do batalhão. Mas, para isso Nascimento, tem de encontrar alguém para o seu lugar. Depois de uma operação de resgate. Neto e Matias juntam-se ao curso de formação do batalhão. O primeiro destaca-se pela coragem e o segundo pela inteligência. Se Nascimento conseguisse reunir essas duas qualidades num só homem estaria encontrado o seu substituto perfeito

 

publicado por imprevistoseacasos às 19:14 | comentar | favorito
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