



Ainda o absentismo de muitos deputados, sobretudo da bancada do PSD. É impossível ficar indiferente a tamanha falta de ética e de profissionalismo. Então quem nos representa encara de ânimo leve as suas funções? A democracia é uma coisa garantida? O Presidente da Assembleia da República não pode continuar a ignorar a necessidade de controlar entradas e saídas do Parlamento, visto que quem lá trabalha não deu provas, até ao momento, de grande rectidão, inclusive no registo do livro de ponto. Definitivamente, Democracia não pode ser sinónimo de Caos.


Descobri, neste último sábado, um músico excepcional: Christian Lindberg. Na Casa da Música, no Porto, este Sueco brilhou em palco, não só pelo seu talento como, sobretudo, pela sua ironia, bom-humor e simpatia. Intérprete único de trombone, a sua interpretação em Motorbike Concert, surpreendeu tudo e todos. Vou procurar mais sobre este talento, sem dúvida.


Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
Mário Cesariny


"Sentia-me muito só na altura. Quando a minha mãe me levou nos primeiros dias à escola, só me apetecia desaparecer. Não tinha essa consciência na altura, mas sentia-me incapaz de estabelecer laços com outras crianças. Esperava que ela me fosse buscar e que me levasse à praia no final do dia. Esses eram os bons momentos. O ritual era muito cómico. A minha mãe, a toalha em redor do meu corpo, saiam os calções do uniforme da escola e entravam os calções de banho. Depois era correr, correr e sentir aquela água afastar as recordações do dia. Limpo, voltava a casa, quase feliz, com a mão da minha mãe na minha. Lembro-me dela num desses dias, na praia, Mais do que na escola, ela brincava comigo na praia. Éramos colegas da mesma turma, mas andava sempre com outras meninas a tiracolo. A primeira vez que falámos, na praia, perguntou-me se eu estava doente. Na altura, com os meus nove ou dez anos, olhei para os seus olhos azuis e desatei a correr para o mar. Nunca respondi à pergunta e ela nunca mais insistiu. Limitou-se a correr, igualmente, para a água. Coisas de crianças. Eu realmente não estava, mas sentia-me doente. Depois, eu era muito alto para a idade, seco e branco. Com o passar do tempo, este tipo de doença foi passando. Somos cúmplices até hoje."


|
"Tão cedo, não vai haver paz no Ensino em Portugal. A situação está diabolizada o suficiente para se perceber a quem está destinado o papel de má da fita".
|
|
José Pinto Leite, "Jornal de Notícias", 03-12-2008 |


Patriota? Não: só Português
Patriota? Não: só português.
Nasci português como nasci louro e de olhos azuis.
Se nasci para falar, tenho que falar-me.
Alberto Caeiro, in "Fragmentos"