O engano

 

Afinal aquele sorriso paternal, meigo, quase amoroso, escondia um jogo do "quem engana mais", tão habitual que me esqueci de que podia acontecer ali, naquele momento, enquanto ambos olhávamos para a fotografia da criança. O  seu tom de pele já lhe tinha trazido muitos dissabores, por isso tentaria poupar a sua filha das marcas que ele próprio carregava desde muito cedo. Estava decidido a contornar este e outros obstáculos, faria tudo o que fosse necessário, "com toda a franqueza." Cedo omitiu, dobrou-se, carregou consciências e ódios antigos, engoliu a franqueza, pintou a verdade, empurrou a consciência e sorriu embriagado para a vitória.

 

publicado por imprevistoseacasos às 20:09 | comentar | favorito