Como é? Isto endireita-se?

Quando aquela senhora se sentou à minha frente, percebi que a conversa iria ser longa . Agarrada a um telefone rosa, gesticulava agressivamente enquanto eu apenas tentava perceber quem seria. Tinha-me dito o nome com orgulho, como se este se tratasse de uma palavra-chave que abriria portas. Eu estava estupefacta. Ouvi-a longos minutos, procurei ensaiar um sorriso compreensivo, desculpei-a quando atendeu o telefone- era uma cliente- e só depois comecei a perceber o que pretendia. Queria atirar a sua frustração para cima de alguém, falava da crise de valores, da crise financeira, da crise familiar, da crise da escola e dos políticos corruptos. Desabafou com violência. Depois agradeceu a atenção, guardou o telemóvel e saiu. Pergunto-me, ainda agora, o que pretenderia verdadeiramente aquela senhora? Partilhar a sua fatia da crise?

publicado por imprevistoseacasos às 09:28 | favorito