08
Out 10

As travessuras de Mário Vargas Llosa

 

Divertimento sem pretensões da grande literatura.

 

publicado por imprevistoseacasos às 08:24 | comentar | favorito
23
Ago 10

Double Game, curioso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Violette Ed., 2000
Double Game and The Gotham Handbook are, together, the first major publication in English on the work of French artist Sophie Calle, yet this two-volume set is in no way an ordinary monograph. In fact, it takes the form of a double jeu, a 'double game', between the work of Sophie Calle and the fiction of Paul Auster. In his 1992 novel Leviathan, Auster based aspects of his fictional artist "Maria" on Sophie Calle, and thanks her for allowing "to mingle fact with fiction". In the opening chapters of Double Game, Calle reverses this premise and lives out elements of Maria's story to combine reality and fiction in her own way. In further chapters of Volume One, Calle uses passages from Leviathan as a pretext for a retrospective of her own installations and other works from the last twenty years. In response to the novelist's borrowings from her own life, Calle asked Auster to write a fiction which she could live. The result is Volume Two, The Gotham Handbook: instructions by Auster on how to live for one week Manhattan, and Calle's diary of that week as she lived it.

 

 

publicado por imprevistoseacasos às 12:25 | comentar | favorito
tags:
12
Ago 10

Moderato Cantabile, a reler...

 

Moderato Cantabile

 

"Num bar, um homem mata uma mulher.

 Mas este gesto só existe pelo fascínio que exerce noutro homem e noutra mulher que nem sequer o testemunharam directamente e cujo significado não alcançam senão talvez inventando-o através da estranha embriaguês que a partir de então se apodera deles.

 Arrancados por aquele grito de agonia à ordem quotidiana, a essa “vida tranquila” onde já não há lugar para a esperança, o homem e a mulher encontram-se dia após dia no bar onde tudo se passou. Falam, imaginam que essa mulher quis ser morta pelo homem que amava e o sentimento que nasce entre eles reencontra, assume esse desejo. Talvez venham a reviver a mesma história de morte e amor. Talvez... Mas nem mesmo o romancista tem a certeza.

 Quem pode dar um nome ao que se passou entre esses desconhecidos, ao que se passa agora entre Anne Desbaresdes e Chauvin? Quem pode saber a forma que o destino dará a essa cumplicidade indecifrável? Talvez nem tenham outra história do que a de ter, por um instante, trocado essas palavras, posto as mãos uma sobre a outra, encostado as suas bocas uma única vez.

 Tudo está suspenso na expectativa de um acontecimento que não chega, de um acontecimento inimaginável. Tudo se verga ao peso de uma paixão que não sai de si própria, que não sabe sequer o seu nome."

 

Difel

publicado por imprevistoseacasos às 00:13 | comentar | favorito
tags:
03
Jul 10

O Contabaixo de Suskind, a reler...

 

 

Sinopse

 

Imagine que se encontra numa sala à prova de som, o seu quarto por exemplo. E aí, rodeado de tudo o que lhe pertence, objectos com os quais se habituou a conviver e que ajudam a delimitar o campo da sua individualidade se lembra de um dia contar aos outros como é vivida a sua solidão…
É mais ou menos num cenário como este que um contrabaixista de uma orquestra nacional alemã, tendo como interlocutor o público teatral, confidencia em livre associação de ideias, sarcástico e pleno de uma ironia amargurada, o seu amor não revelado por Sara, uma cantora de ópera. Só que esta relação platónica dificilmente se poderá tornar realidade. E isto por causa do contrabaixo, o instrumento musical que uma orquestra que se preze não pode dispensar. Além disso, o instrumento mais arcaico ainda existente, aquele que melhor se ouve quanto mais afastados estivermos dele e quanto ao aspecto externo, um instrumento de natureza hermafrodita. Parecendo-se com uma gigantesca rabeca na parte inferior, enquanto na parte superior se aproxima de uma não menor viola de gamba. Desajeitado e incómodo o instrumento é para este contrabaixista o maior empecilho a um grande e profundo amor.
Exemplificado assim o isolamento em que vive esta personagem curiosa, é pela sua boca ainda que penetramos na história da música e dos músicos, para nos confrontarmos com uma brilhante crítica à sociedade contemporânea.

publicado por imprevistoseacasos às 11:38 | comentar | favorito
30
Mai 10

A literatura e o detalhe da vida

 

"A literatura faz de nós melhores observadores da vida; e permite-nos exercitar o dom na própria vida; que por sua vez nos torna mais atentos ao detalhe na literatura; que por sua vez nos torna mais atentos ao detalhe na vida. E assim sucessivamente."


James Wood, A mecânica da ficção, Quetzal.

 

publicado por imprevistoseacasos às 11:01 | comentar | favorito

Mecânica da ficção - a ler

 

publicado por imprevistoseacasos às 00:05 | comentar | favorito
20
Mai 10

Tempo - IV

 

Quando me disseram, fiquei tonta, embriagada pela inesperada violência do acto. Mais, abismada. Mais, atónita.

As autoridades consideraram que eles tinham tido cuidado com as minhas coisas, apesar de tudo.

Ninguém viu, ninguém foi capaz de testemunhar. Nesta aldeia onde todos se conhecem, ninguém fala do desconhecido. Parecia impossível, por isso ninguém queria acreditar. Tudo vazio, ouvia-se pela primeira vez o eco do meu choro em toda a casa.

No fim, apenas falavam do pano amarelo do pó que tinham deixado onde outrora existira um caldeira, de como eles tinham levado tudo, aberto gavetas, baús, memórias, mas tinham tido consideração pela proprietária da casa, estimando alguns haveres.

Agora, sem vestígios palpáveis das minhas memórias, apenas penso na outra casa que recebeu os meus lençóis, edredões, farinhas e ovos.

Amaldiçoo-os a todos.

 

FC

publicado por imprevistoseacasos às 21:31 | comentar | favorito
15
Mai 10

Tempo (III)

 

Mordeu a maçã, suavemente, com tempo, esquecida da hora e da dor da perda. Nada sentia, apenas importava estar assim, vazia.

Viu a sua imagem reflectida no quadro, com aquela bola disforme em que se tornara a fruta que permanecia na sua mão esquerda, já sem seiva e a amarelar com o tempo.

O tempo. Sem dramatismo pensou no que se tinha tornado aquele domingo que imaginara promissor. Levantara-se de manhã com a certeza de que aconteceria o inevitável, porque já não conseguia pensar de outra forma sempre que o olhava. Não passaria de hoje a sentença de morte daquela coisa que os outros teimavam em chamar de relação. Faz bem ao coração ter alguém agarrado a nós enquanto dormimos, acordar com um rosto colado ao nosso, dizia-lhe o livro que lhe tinham oferecido no Natal. Tudo, tudo acorria à sua mente num turbilhão de sons indistintos, como se a sua orquestra pessoal estivesse em desacordo com a partitura escolhida. Terminara. O tempo já a tinha avisado quando a moleza a atacara repetidamente a propósito de nada.

Indolente, atirou a maçã para a lareira fingida. Sem luz foi andando pelo quarto percebendo que o cheiro a pó a nauseava.

Pegou no telefone e pediu que lhe fechassem a conta em meia hora. Arrumou as roupas espalhadas na cadeira e alisou a colcha da cama que não chegara a desfazer. Olhou o telemóvel na cómoda e decidiu-se...

 

FC.

publicado por imprevistoseacasos às 13:02 | comentar | favorito
13
Mai 10

Livro de cabeceira VIII

 

 

 

Sinopse


"Cornelius Suttree, protagonista desta história, vive sozinho numa velha casa flutuante na margem do rio Tennessee, perto de Knoxville. Vive junto de uma comunidade à margem da sociedade, frequentada por excêntricos, criminosos e pobres. Mas no meio da miséria humana e física que o rodeia, consegue, com indiferença e humor perverso, sobreviver com dignidade."

publicado por imprevistoseacasos às 10:14 | comentar | favorito
tags:
01
Abr 10

Carson McCullers, livros de cabeceira imperdíveis

 

 

 

publicado por imprevistoseacasos às 21:26 | comentar | ver comentários (6) | favorito