21
Fev 10

Livro de Cabeceira VI

 

 

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Sinopse
Património, uma história verdadeira toca nas emoções ainda com mais profundidade do que qualquer outra obra do autor.
Roth assiste à batalha que o seu pai - famoso pelo seu vigor, charme e pelo seu repertório de recordações de Newark - trava com o tumor cerebral que o irá matar. O filho, repleto de amor, ansiedade e medo, acompanha-o em cada atemorizante estádio da sua provação final e, ao fazê-lo, revela o apego à vida que marcou o compromisso longo e teimoso do seu pai com a vida.

 

 

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29
Jan 10

Livro de cabeceira V

 

 

A Música da Fome

 

 

Sinopse:

Ethel Brun é filha de um casal de exilados, formado por Justine e Alexandre, um homem afável e irrequieto que muito jovem deixou a ilha Maurícia e que, na alegre Paris dos anos 20 e 30, se dedica a delapidar a herança em negócios pouco recomendáveis. Na infância, o único prazer de Ethel é passear pela cidade com o seu tio-avô, o excêntrico Samuel Soliman, que sonha ir viver para o pavilhão da Índia Francesa construído para a Exposição Colonial. E, na adolescência, Ethel conhecerá algo parecido com a amizade pela mão de Xenia, uma colega de escola, vítima da Revolução Russa e que vive quase na miséria. O bem-estar de Ethel começa a resvalar quando, nas refeições que o seu pai oferece a parentes e conhecidos, se repete cada vez mais o nome de Hitler. Serão os primeiros sinais do que ameaça a família Brun: a ruína, a guerra, mas, sobretudo, a fome. Ela marcará o despertar da jovem Ethel para a dor e o vazio, mas também para o amor, num romance em torno das origens perdidas, durante uma época que culminou com um apocalipse anunciado.

 

 

 

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01
Dez 09

Tropicalismo na Casa Fernando Pessoa

 

 

Uma conferência de Caetano Veloso e Antonio Cicero intitulada A Mensagem do Tropicalismo, sobre a influência de Mensagem de Fernando Pessoa no movimento tropicalista, inaugura o ciclo Livres Pensadores na Casa Fernando Pessoa, no próximo dia 4 de Dezembro, às 18.30. Com esta série de conferências, de periodicidade mensal, a Casa Fernando Pessoa pretende dar a ouvir algumas das mais luminosas e heterodoxas vozes do pensamento e da criação contemporâneos, nas mais diversas áreas, contribuindo assim para o desenvolvimento da liberdade de pensamento e do sentido crítico que Fernando Pessoa tanto cultivou e de que Portugal tanto necessita.

A conferência de Caetano Veloso e Antonio Cicero assinala os 75 anos da publicação de Mensagem de Fernando Pessoa.

 

 

Mundo Pessoa

 

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30
Nov 09

A Mancha Humana, Philip Roth

 

 

E quando lemos um livro  e gostamos muito, há já algum tempo, e nos deparamos com um filme que o adapta, com excelentes actores, mas sem a magia da letra escrita?

Não consegui deixar de pensar que o realizador não percebeu, verdadeiramente, a inquietação do autor. É sempre assim, não é?

 

 

 

 

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23
Ago 09

Excertos VII

 

"Tinha voltado às caminhadas no paredão. Sempre encostado às pedras laterais, já conseguia andar com segurança, o que me permitia desfrutar cada passo de uma forma plena. Sentava-me com frequência sempre que um ruído barrava a minha caminhada. Sons tumultuosos, vindos de dentro de mim, como se uma tampa estivesse entreaberta. Vozes dissonantes, por vezes contraditórias, anónimas. Lamentos. A alegria perdia-se algures nestes surtos, como se algo em mim procurasse um ajuste de contas com o passado.
Recordei inúmeras vezes as nossas conversas. Fazia, vezes sem conta, um itinerário mental daqueles anos, como se o puzzle da minha vida se visse confrontado, agora, perto do fim, com um obstáculo intransponível. Via rostos de dúvida, agonia e alegria onde antes tinha visto segurança e firmeza. Muito novo, tudo isto."

 

FC

 

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13
Mai 09

Livro de Cabeceira IV

 

 

Sinopse

Deserto aborda uma das grandes preocupações de Le Clézio, as condições de vida dos povos nómadas ameaçados de extinção, assunto que desenvolveu em diversos ensaios. Entre os povos sobre os quais escreveu, e entre os quais viveu, estão os índios do Panamá e os berberes de Marrocos. Entre 1970 e 1974 viveu com os índios emberas, no Panamá, em plena floresta. Le Clézio conheceu estes índios depois de ter estado dois anos no México a prestar serviço militar, período que aproveitou para viajar e visitar as regiões vizinhas. A mulher de Le Clézio é de origem saraui e juntos lançaram em 1993 Gens des Nuages, um ensaio sobre a terra natal dela.

 

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07
Mai 09

Excertos VI

 

"Procurei as folhas na sala e nada. Temi que ele as tivesse guardado novamente na mala, sem que eu tivesse reparado. Gritei desvairado. Ninguém respondeu. Apalpei todo o sofá, tacteei a mesa da sala, as cadeiras e nada. As folhas não estavam na sala. A minha cabeça rodava num carrossel de angústia. Não conseguiria ler, de qualquer maneira, o conteúdo da notícia, mas a curiosidade picava-me como agulhas afiadas. Esperaria pela manhã para perguntar onde ela tinha guardado as benditas folhas. Acendi a luz da biblioteca. Que pena não poder ler os milhares de páginas que ali tinha em centenas de pastas espalhadas pela mesa e pelo chão da divisão. Sentia-me bem, pela primeira vez, perto das recordações que tantas vezes associara a uma armadilha. Agora apetecia-me pisa-las de uma forma quase suicida. Queria, precisava de conhecê-lo e confirmar, ou não, a imagem que tinha moldado, que tinha construído. Tinha essa hipótese nas minhas mãos. 
A ignorância permite-nos construir um mundo só nosso, longe de uma realidade crua. A distância não significa fuga."
FC
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24
Fev 09

Excertos V

"Voltei à porta da cozinha. Este acesso ao jardim continuava emperrado e sem aparente solução. Virei-me de frente para a porta. Peguei num pano da cozinha e empurrei o postigo, também empenado. Estava tudo velho e ligeiramente inchado por causa da chuva da última semana. Tinha sido um Setembro para esquecer. Consegui fechar o pequeno ferrolho do postigo, tapando assim o vidro da porta. Esta teimava em embater em qualquer coisa no chão. Estava já escuro, lá fora. O final de tarde tinha sido mais sombrio do que o habitual. Ou seriam os meus olhos a dar as últimas. Enfim, apenas importava, agora, que eu não conseguia fechar a porta e muito menos descobrir porquê. Baixei-me um pouco e nada. Lembrei-me de ir à despensa buscar a lanterna azul. Era grande e podia ligá-la à electricidade. Tacteei à procura da terceira prateleira. Lá  estava ela à ponta, como sempre.Trouxe-a para o pé da porta. Impei quando percebi que o fio, ligado à tomada eléctrica mais próxima, não permitia que a lanterna chegasse perto da porta. Tudo conspirava contra mim. Sentei-me de joelhos, arriscando não me levantar já dali. Encostei o nariz à porta e procurei, com as mãos, possíveis entraves. Senti o velho tapete preto disfarçado de obstáculo. Tinha-me feito cair, de joelhos, perante uma mera porta de jardim. Uma porta. Uma simples porta e lá estava eu, aflito, sem certeza de ser capaz, sozinho, de me deitar, em segurança, neste banal dia de Setembro. Jamais contaria a alguém este episódio. Ficaria o nosso segredo: meu e da porta. Apenas tinha a lanterna como testemunha."

 

FC

 

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17
Jan 09

Excertos IV

 

"Agora, sentado à mesa, no seu lugar preferido, virado para a janela, sentia o jornal, que não leria, ao lado da minha mão direita e ouvia o barulho dos copos e pratos, ao longe. Percebia como era fácil fugirmos, por breves instantes, de tudo quanto nos rodeia. Recordava-me que aquela posição permitia-lhe ausentar-se e planar para longe de nós. Ninguém o interrompia quando o olhar se tornava mais azul. Inicialmente, quando o observava, assim distante, apetecia-me irromper num pranto. Quantas vezes me tinha invadido uma raiva profunda, por o ver ausente? Depois, com o passar do tempo, passei a conviver pacificamente com estes momentos. Na verdade sempre fora assim. Apenas eu continuava iludido, na esperança que a idade o aproximasse de mim."
FC

 

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04
Dez 08

Excertos III

 

"Sentia-me muito só na altura. Quando a minha mãe me levou nos primeiros dias à escola, só me apetecia desaparecer. Não tinha essa consciência na altura, mas sentia-me incapaz de estabelecer laços com outras crianças. Esperava que ela me fosse buscar e que me levasse à praia no final do dia. Esses eram os bons momentos. O ritual era muito cómico. A minha mãe, a toalha em redor do meu corpo, saiam os calções do uniforme da escola e entravam os calções de banho. Depois era correr, correr e sentir aquela água afastar as recordações do dia. Limpo, voltava a casa, quase feliz, com a mão da minha mãe na minha. Lembro-me dela num desses dias, na praia, Mais do que na escola, ela brincava comigo na praia. Éramos colegas da mesma turma, mas andava sempre com outras meninas a tiracolo. A primeira vez que falámos, na praia, perguntou-me se eu estava doente. Na altura, com os meus nove ou dez anos, olhei para os seus olhos azuis e desatei a correr para o mar. Nunca respondi à pergunta e ela nunca mais insistiu. Limitou-se a correr, igualmente, para a água. Coisas de crianças. Eu realmente não estava, mas sentia-me doente. Depois, eu era muito alto para a idade, seco e branco. Com o passar do tempo, este tipo de doença foi passando. Somos cúmplices até hoje."

 

FC

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